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O jornalismo não toca em certos assuntos internacionais?

Não conhecemos os bastidores dos fatos. Por quê? Como jornalista, quando transito por ambientes acadêmicos de Relações Internacionais, ouço informações sobre geopolítica que me parecem grandes novidades. Geralmente são sobre movimentos, partidos, grupos e causas globais que, no fundo, têm ligações e atos não tão humanitários quanto suas publicidades. Já que o jornalismo é a maneira pela qual consumimos informação — ao menos deveria ser, em tempos de WhatsApp e fake news —, parece que há uma falha comunicacional na prática jornalística. A pergunta é: o jornalismo não toca em certos assuntos internacionais?


Uma das possibilidades de resposta a essa pergunta seria que na verdade, o jornalismo cobre todos (ou em grande parte) os acontecimentos internacionais de importância. Somos nós, enquanto consumidores, que não temos real hábito ou possibilidade de acessar tudo que é noticiado nessa editoria.


Exemplo disso foi uma conversa entre o correspondente internacional da GloboNews em Nova Iorque, Guga Chacra, e uma seguidora de seu perfil no Instagram. Chacra fez um post em que mostrou seu pesar pelas vítimas dos atentados no Sri Lanka. As explosões contra igrejas católicas e hotéis mataram mais de 200 pessoas no dia 21 de abril de 2019. A seguidora comentou: "Por que será que a imprensa divulga tão pouco os atentados contra alvos cristãos?" e Chacra respondeu "É manchete em absolutamente todos os jornais e breaking [news] nas TVs o atentado no Sri Lanka."


Outra resposta para o questionamento seria de que realmente falta informação sobre muitos assuntos, considerados delicados em alguns casos. Afinal, grande parte do que os brasileiros consomem de notícias internacionais são primeiramente produzidas por grandes agências de notícias, geralmente instaladas nos Estados Unidos e na Europa. Daí, poderíamos entender que essa produção primária tem interesses e também limitações.


Em entrevista a Revista Malala, o internacionalista Nizar Messari, professor na Universidade Marroquina de Al Akhawayn, pontuou que muitos dados sobre mundo árabe não são acessíveis. Mesmo que Messari estivesse se referindo a obstáculos na realização de pesquisas acadêmicas, isso se aplica também à atividade jornalística. "A primeira grande dificuldade é a falta de transparência e a falta de acesso às informações. Os websites oficiais, as agências dos ministérios e os jornais são péssimos praticamente em todo o mundo árabe. Não há dados reais, a não ser os de propaganda institucional, e os textos e links não estão disponíveis a todo tempo", disse Messari.


Mas um ponto importante nessa reflexão é a diferença entre notícia e analise. Os fatos transmitidos pelas hard news certamente não são suficientes para uma compreensão maior dos atores e de seus objetivos, acionados em cada acontecimento. Assim, tanto as manchetes quanto os comentários de jornalistas especializados são importantes na construção do conhecimento público.





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